Conhecimento - 13-04-2026
A Criar em Conjunto a Próxima Geração de Babyleaf
O espinafre babyleaf tornou‑se popular devido à sua versatilidade: desde saladas e salteados até coberturas para pizza e smoothies. Além disso, a disponibilidade raramente é um problema, uma vez que este vegetal saudável e saboroso pode ser encontrado todo o ano na secção de refrigerados dos supermercados. Graças, em parte, ao portefólio abrangente de produtos da Rijk Zwaan, os produtores conseguem cumprir compromissos de fornecimento ao longo de todo o ano junto dos retalhistas. Paralelamente, nos bastidores, os especialistas de mercado e as equipas de investigação da Rijk Zwaan já estão a trabalhar na espinafre babyleaf de amanhã. As alterações climáticas, a resistência a doenças e a hidroponia são apenas alguns dos fatores que têm de ser considerados.
Centenas de hectares
O espinafre babyleaf é colhido mecanicamente, lavado e embalado após a cultura ter crescido no campo durante um período que varia entre três semanas (no verão) e 13 semanas (no inverno). Este vegetal de folhas é amplamente cultivado nos EUA — onde as explorações de espinafre podem abranger centenas de hectares — assim como na Europa e na Austrália. ‘Alguns produtores no norte da Europa possuem também campos no sul da Europa, e alguns produtores da Califórnia têm localizações em Yuma, no Arizona. Isto permite-lhes fornecer espinafre fresco aos seus clientes ao longo de todo o ano’, explica Wim in ’t Groen, Crop Co‑ordinator na Rijk Zwaan.
Planeamento contínuo, em conjunto
Para facilitar a produção ao longo de todo o ano, o portefólio da Rijk Zwaan inclui cerca de 75 variedades de babyleaf. ‘Oferecemos variedades para todos os mercados e zonas climáticas’, continua Wim. ‘Desde variedades de crescimento rápido até variedades de crescimento mais lento, disponibilizamos sempre a solução ideal, com o pacote certo de resistência ao míldio e a outras doenças.’
Escolher entre tantas variedades não é tarefa fácil para os produtores. É por isso que os especialistas de cultura da empresa ajudam a elaborar planeamentos anuais, baseados numa sucessão de variedades de espinafre perfeitamente alinhadas com a estação do ano, a pressão de doenças, as condições climáticas e a situação do mercado em cada momento.
Desenvolver para além de hoje
Entretanto, a equipa de investigação da Rijk Zwaan já está a trabalhar nas exigências do futuro, afirma Jan Jansen, investigador especializado em espinafre. “Trabalhar no desenvolvimento de variedades significa olhar em frente. Em conjunto com os especialistas de cultura locais, estamos constantemente a pensar no futuro. O que nos estão a pedir? De que é que as pessoas precisam?”, comenta.
Com base nessas perceções, a equipa desenvolve novas variedades, explica o investigador David Courand: “A realização de ensaios nas nossas unidades de investigação nos EUA, Países Baixos, Espanha, Itália e Austrália permite‑nos selecionar variedades adaptadas a zonas climáticas específicas. Estamos sempre à procura de melhorar ainda mais a oferta atual — por exemplo, ao nível das resistências ou de uma maior resiliência às alterações climáticas.
Criado para enfrentar condições extremas
As alterações climáticas afetam claramente o cultivo, segundo Jan — e ele sabe do que fala, uma vez que trabalha na Rijk Zwaan há 40 anos. “Estamos a assistir a uma mudança na procura de tipos de variedades devido ao aumento das temperaturas. Por exemplo, no sul da Europa existe atualmente menos interesse em variedades de inverno de crescimento rápido, que estão a ser cada vez mais substituídas por variedades de outono de crescimento mais lento.”
Para além das temperaturas mais elevadas, as alterações climáticas estão também a provocar episódios de precipitação intensa e períodos de seca mais prolongados. “É por isso que a nossa equipa de investigação procura variedades robustas, com maior resistência a fatores de stress abiótico, como a seca, o calor e a precipitação intensa. Estamos a fazer bons progressos”, afirma.
Sementes nas quais pode confiar
Para além de influenciar o cultivo de espinafre, as alterações climáticas também afetam a produção de sementes de espinafre. “A Dinamarca é a localização privilegiada para a produção de sementes, devido à duração dos dias, mas em 2023 o clima foi demasiado seco para uma produção ideal e, no ano passado, foi demasiado chuvoso. Estas condições extremas resultaram na disponibilidade de sementes de menor qualidade — não só para nós, mas também para outras empresas de sementes. Nos 32 anos em que trabalho aqui, isso nunca tinha acontecido”, afirma Wim, com preocupação.
“Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para cumprir os compromissos assumidos com os nossos clientes, mas por vezes temos de os desiludir, o que é frustrante para todas as partes. Estamos constantemente à procura de melhores formas de distribuir e reduzir os nossos riscos.”
Unidos no combate às doenças
Para além da resiliência climática, a resistência a doenças — em especial ao míldio (Peronospora effusa ou Pe) — é outro tema de elevada prioridade para a equipa de investigação. “Estamos a trabalhar no desenvolvimento de resistência completa às 20 raças oficiais de Pe em todos os tipos de babyleaf, incluindo os novos isolados atualmente presentes no mercado. Além disso, monitorizamos de perto o surgimento de novos isolados locais nas regiões de produção”, explica Jan.
“Os produtores ajudam‑nos enviando plantas doentes, que analisamos gratuitamente. Isto permite‑nos indicar se se trata de um novo isolado e quais das nossas variedades apresentam resistência. Ao mesmo tempo, ajuda‑nos a antecipar rapidamente o aparecimento de novos isolados. É mais um exemplo de como estamos sempre a pensar à frente.”
Para além do míldio, o Stemphylium (Stemphylium vesicarium ou Sv) é outra prioridade. Segundo Wim, os produtores valorizam o facto de o website da Rijk Zwaan apresentar, para cada variedade, as respetivas resistências: “Isso facilita a tomada das decisões certas perante a pressão de doenças.”
As saladas estão a mudar, tal como o espinafre.
O espinafre babyleaf do futuro não será apenas resiliente ao clima e resistente a doenças, mas também mais diverso. A equipa está, por exemplo, à procura de folhas com um aspeto completamente diferente. Juliette Schot, investigadora que se juntou recentemente à equipa em antecipação da próxima reforma de Jan, explica porquê: “O espinafre é cada vez mais consumido cru, como ingrediente de saladas, incluindo em misturas de 100 g ou 200 g, por exemplo. Folhas com cores e formas diferentes enquadram‑se perfeitamente nesta tendência.”
Jan partilha dois exemplos de sucesso. “Introduzimos a Red Snapper RZ nos EUA. É uma variedade com folha em forma de carvalho e nervura e caule vermelhos; muito atrativa. Outra variedade com nervura vermelha é a Red Tabby RZ, embora com folhas redondas. Naturalmente, estes são produtos de nicho, mas também o foram, no início, tipos de alface como a Salanova® e a Lollo rossa. Hoje, existe um mercado significativo para estes produtos.”
Hidroponia? Estamos a trabalhar nisso
O cultivo hidropónico de espinafre babyleaf ainda é um nicho a nível global, mas está a crescer de forma lenta e consistente. Em algumas regiões, como os EUA, o Canadá e o México, os produtores veem‑no como uma forma de reduzir a dependência das condições climáticas. Noutras zonas, como no Médio Oriente, o cultivo ao ar livre simplesmente não é possível. Nestes casos, o cultivo de espinafre em água, em ambiente controlado, oferece uma alternativa.
“Este método não está isento de desafios”, explica Wim. “É por isso que realizamos investigação para os ultrapassar. Além disso, desenvolvemos um produto específico para produtores nos EUA: o espinafre hidropónico Uni‑Form. As sementes recebem um tratamento especial que garante uma germinação excelente e simultânea, seguida de um crescimento altamente uniforme das plântulas. Este é um exemplo de como estamos a contribuir para o desenvolvimento deste mercado.”
Da investigação ao comprador: a colaboração faz avançar o setor
O tratamento de sementes irá tornar‑se ainda mais sofisticado no futuro, em grande parte graças ao novo Seed Connect Centre da Rijk Zwaan, inaugurado em abril de 2025. O mesmo se aplica ao processo de desenvolvimento de variedades, no qual a análise de dados já está a ajudar a identificar variedades com elevado potencial de forma mais rápida. “Isto complementa o conhecimento que existe na experiência dos especialistas”, explica David.
Por último, Jan sublinha a importância da colaboração entre todos os departamentos da Rijk Zwaan. “Por exemplo, os investigadores de fase inicial procuram marcadores que facilitem o acompanhamento das características desejadas no material genético. Em paralelo, para compreender o que se passa no mercado, é essencial a partilha de conhecimento com os especialistas de cultura locais. Os produtores de espinafre podem continuar a contar com o empenho de toda a nossa empresa, hoje e no futuro.”