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Knowledge Sharing - 03-03-2026

Poupança de mão de obra no cultivo de pepino: inovação em ação

Existe uma escassez de mão de obra cada vez maior no setor hortícola global, sobretudo para trabalhos fisicamente exigentes e repetitivos. A mecanização deixou de ser apenas uma questão de eficiência e tornou‑se cada vez mais essencial para garantir a continuidade dos negócios. Por esse motivo, a Rijk Zwaan desenvolve investigação contínua para criar plantas que poupem mão de obra e que sejam compatíveis com novas técnicas de cultivo. Uma das formas de o fazer é analisar atentamente a estrutura da planta — e isso está a gerar soluções muito diversificadas.

Florian Müller é técnico de investigação de pepinos e melões na Rijk Zwaan. “A investigação centra‑se na compreensão do mecanismo por detrás de cada característica. Uma planta de pepino tem sete cromossomas diferentes e 30.000 genes. Na nossa localização de Investigação & Desenvolvimento, nos Países Baixos, nós e os investigadores mapeamos estas características. Ou seja, investigamos que variação genética causa uma determinada característica e quais as plantas de pepino que a possuem. Este conhecimento permite aos geneticistas selecionar de forma mais eficiente e desenvolver plantas de pepino com novas combinações de características”, explica Florian.

Arquitetura diferente da planta

“Por vezes analisamos a ‘arquitetura da planta’ como um todo, ou seja, a estrutura física. Isto é necessário porque uma alteração pode desencadear um efeito dominó que exige várias outras mudanças. Por exemplo, criar uma planta com folhas mais pequenas — o que facilita o trabalho — frequentemente reduz também o tamanho de outros órgãos, incluindo os frutos. Por isso encontramos soluções para equilibrar esses efeitos”, acrescenta Florian.

“Por vezes analisamos a ‘arquitetura da planta’ como um todo, ou seja, a estrutura física. Isto é necessário porque uma alteração pode desencadear um efeito dominó que exige várias outras mudanças. Por exemplo, criar uma planta com folhas mais pequenas — o que facilita o trabalho — frequentemente reduz também o tamanho de outros órgãos, incluindo os frutos. Por isso encontramos soluções para equilibrar esses efeitos”, acrescenta Florian.

Folhas mais pequenas

A Rijk Zwaan desenvolve variedades que poupam mão de obra para os dois sistemas de cultivo mais utilizados no pepino: low‑wire e high‑wire. Para o low‑wire, a empresa introduziu Proloog RZ, que tem sido a principal variedade no Norte da Europa há 18 anos. “Quando foi lançada, Proloog foi a primeira variedade com folhas significativamente mais pequenas. A abertura da planta facilita ver os frutos e reduz as tarefas de manutenção. Isso poupa imensa mão de obra. Hoje temos variedades semelhantes para outras regiões e épocas,” afirma Tolis Spyropoulos, Geneticista de Pepino na Rijk Zwaan.

Crescimento controlado

“Os produtores com novas estufas optam cada vez mais pelos sistemas high‑wire, devido à melhor condução, qualidade superior do fruto e maior produção. No entanto, o high‑wire exige mais tarefas: baixar as plantas duas vezes por semana, desbastar frutos, remover folhas e retirar flores para prevenir míldio. A poupança de mão de obra é, portanto, essencial neste sistema de cultivo”, acrescenta Tolis.

Florian: “Na genéctica, recorremos ao nosso banco de genes. Ao longo das décadas, reunimos uma vasta coleção de variedades de pepino, das quais podemos selecionar e introduzir características específicas. Nesta coleção identificámos genética com entrenós mais curtos, que resulta em crescimento mais lento. Para o cultivo high‑wire com iluminação, isso levou ao desenvolvimento de variedades como Skytower RZ, uma opção que reduz significativamente a necessidade de baixar as plantas.”

Um fruto por axila

Uma planta de pepino pode desenvolver um, dois ou mais frutos por axila foliar. No caso dos pepinos longos, um fruto por axila é geralmente suficiente, por isso os produtores removem os restantes. Uma variedade que produza naturalmente apenas um fruto por axila poupa muita mão de obra — daí a equipa técnica ter investido nesta característica. “Skyteam é um bom exemplo de variedade de fruto único. Comparada com outras variedades, o desbaste demora muito menos tempo”, afirma Florian.

A Rijk Zwaan tornou‑se a primeira empresa a desenvolver uma variedade comercial com fruto único. As sementes estão disponíveis desde 2024 e já é a variedade mais importante para o cultivo high‑wire de verão nos Países Baixos. Desde então, surgiram variedades semelhantes para outras regiões, como Blueray RZ para o Canadá e os EUA. Tolis acrescenta: “Além da frutificação única, esta variedade tem crescimento compacto e folhas mais pequenas, tornando‑a muito aberta e facilitando a visibilidade dos frutos — tal como Proloog.”

Preparar o caminho para o robot de colheita

Também é importante reduzir a mão de obra necessária na colheita e pós‑colheita. Por isso, a Rijk Zwaan seleciona variedades que produzam pepinos uniformes, adequados à triagem e ao processamento automatizados, bem como pepinos tipo gherkin uniformes que se ajustem perfeitamente aos frascos.

“A colheita robotizada ainda está em desenvolvimento”, explica Florian. “Mas estamos a pensar no futuro. Um cultivo mais aberto permitirá aos robots identificar melhor os frutos e características como um pedúnculo mais longo facilitarão o corte.”

Como as resistências poupam mão de obra

Outra resposta à escassez de mão de obra é a resistência a doenças. Quase todas as variedades da Rijk Zwaan são resistentes ao oídio. Os pepinos são vulneráveis a esta doença, mas a utilização de fungicidas químicos está amplamente proibida. Florian: “A genética focada na resistência reduz o uso de químicos e poupa mão de obra, porque os produtores precisam de pulverizar menos — quando precisam — e de remover menos flores, que são portas de entrada para o fungo Didymella bryoniae (Mycosphaerella).”

Banco de genes

Florian conclui: “A Rijk Zwaan tem um banco de genes — que também inclui pepinos selvagens — onde frequentemente encontramos a característica que procuramos, como a frutificação única. Depois temos de garantir que essa característica pode ser cruzada com o nosso material genético, de preferência sem outras características indesejáveis dos pepinos selvagens, como espinhos ou amargor. Trabalhamos também com colegas de culturas próximas, como melão e curgete, e com universidades, que conseguem realizar investigação mais fundamental sobre interações genéticas. Isso dá‑nos uma compreensão mais profunda da rede genética envolvida em cada característica e permite uma abordagem mais direcionada ao cruzamento e combinação de características desejadas.”

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Miguel Ribeiro da Costa
Técnico Comercial